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sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Elegia

-Se um filho meu me chamar de papai, pode ser da idade que for, eu desço a porrada nele na hora e mando parar de ser viado.

Disse Victor, que no tempo era um amigo meu. As pessoas ao redor riram e aprovaram aos gritos. Eu não respondi. Concordei, com um riso forçado. Dentro da minha cabeça, eu senti uma pressão escura, uma vontade de retrucar, mas, eu não tinha as ferramentas e nem a coragem necessária para dizer algo naquele tempo.

18 anos depois, estou no velório de um homem. Eu já vim a este mesmo velório antes. O morto era uma pessoa que se preocupava com suas responsabilidades, e prezava por seus amigos a sua maneira. Mas, era uma maneira fria e distante. Muitas vezes as pessoas próximas a ele não entendiam seus modos e motivos.  Eu não entendia o morto, não sabia se aquela era sua personalidade ou se era se aquilo era o ele pensava que as pessoas esperavam dele. Uma aura de seriedade, uma atitude impassível diante de todos os problemas, ele nunca pedia ajuda. E ele morreu por isso.

Durante as elegias, eu escuto as pessoas a quem ele tocou a vida se desfazerem em lagrimas, eu consigo sentir a dor delas, as verdades escalam do meu estomago e entalam na minha garganta. E eu sei que um dia eu vou velar os meus pais. Talvez enterre amigos próximos. Um dia alguém vai me enterrar.

Depois dos ritos fúnebres eu passei a chamar meus pais de Papai e Mamãe. Passei a abraçar meus amigos. Tudo é muito breve para se importar com coisas tão pequenas, aquele grupo de “amigos” não vale o tempo. Apenas durante esse fiapo de tempo e sonho eu posso mostrar aos meus queridos o que que sou, e o quanto os quero bem.

Eu fui duas vezes a um mesmo funeral. Quando eu começar a esquecer as verdades, quando me faltarem ferramentas ou coragem para ser o que realmente sou, eu vou uma terceira vez velar e prantear o rei dos sonhos. 


sábado, 11 de novembro de 2017

"Não apenas bonita ou atraente.A palavra que a define é magnética, sustenta e distorce as minhas realidades ao seu bel prazer. "

Há 5 anos atrás eu devia estar bem apaixonado.

domingo, 27 de agosto de 2017

Posso te contar um Sonho?( rascunho)

-Posso te contar um sonho?
-Pode, conte.
-É meio macabro, tudo bem?
-Tudo, manda ver.
   Eu conseguia enxergar uma armação de madeira no teto e vitrais coloridos deixavam a luz entrar no lugar de modo que tudo parece laranja e avermelhado. Eu estava deitado em um corredor formado pelo espaço entra bancos e ao final deste corredor havia uma pequena escada, dois ou três degraus) que se elevava até um altar. No centro altar havia um poço.
  De repente, haviam figuras sentadas no banco. Eu acho que eram pessoas, mas, nenhuma de me parecia correta, digo, tinha algo errado nas proporções delas. As pessoas sentadas nos bancos estavam rezando o credo, mas, eles estavam errando as palavras, como eu errava sempre quando estava aprendendo essa oração. De vez em quando um estalido seco parava a oração das figuras, um barulho parecido com uma palmatoria.
-Como você conhece o barulho de uma palmatoria?
-História antiga, depois eu te conto, deixa eu continuar.
-Ok.
   Então elas começavam a errar cada vez mais, e entre os estalidos, eu comecei a escutar soluços, que eu acho que eram meus. Mas, eu não estava chorando na verdade me sentia calmo. Eu me levantei e vi que estava em uma espécie de igreja e que não importava para onde eu me virasse, eu sempre enxergava o altar, o poço e as pessoas de costas. Eu senti uma pessoa atrás de mim e quando me virei vi uma senhora pequena, gorda e com longos cabelos prateados, uma bata com estampa flores e com uma espécie de terço, sem cruzes ou imagens, enrolado na mão direita. Eu não conseguia bem o rosto dela.
-Era sua Vó, parece com ela...
-Não era ela.
Ele chegou mais perto e as pessoas pararam com o credo. A senhora disse “ Eles espreitam nas sombras dos campos, esperando com paciência para corromper e distorcer cada pedaço seu” Então ela levantou a mão direita e eu vi que ela tinha um cutelo. Ela desceu a mão e o cutelo arrancou minhas pernas. Quando eu cai sentado, sem consegui me mexer, ela chegou mais perto e disse “ Eles esperam, porque sabem o que você realmente deseja” E desceu o cutelo de no arrancando meu braço direito “ Eles arranham, rastejam, e sabem, eles espreitam” e arrancou meu braço esquerdo. Depois disso ela, simplesmente sumiu. Eu fiquei deitado, e o meu sangue começou a escorrer para o altar e a subir a escada. Meus braços e pernas tinha sumido e o credo recomeçou. Mais rápido, mais errado e com mais soluços. E então eu senti que tinha uma coisa me arrastando. Era um monstro feito com meus braços e pernas que me carregava para o altar. Finalmente eu senti algo e me desesperei, a criatura me jogou no poço e eu comecei me afogar no meu próprio sangue sem conseguir acordar.