Live
A Live
“Os homens amam com
pressa e detestam com calma” (Don Juan, (1819-24) canto 13, st. 4.)
“Poetas ruins imitam,
poetas bons roubam”. (T.S. Eliot)1
Esses são os temas jogo
dessa noite: Live A Live. Bem vindos ao Canal 3. Do distante ano de 1994. Um
jogo ambicioso que apresenta 7 protagonistas com histórias dispares, mas, que
são conectadas pelo antagonista Ódio: O rei dos Demônios. Esse jogo nunca foi
lançado oficialmente no ocidente e muitas pessoas só puderam jogá-lo graças ao
trabalho excelente de um grupo de fãs chamado Aeon Genesis.
O jogo conta com 7
mangakas diferentes para desenhar os protagonistas e teve a direção de Takashi
Tokita que foi o diretor de Crono Trigger e Parasite Eve. A seguir as marcas de
tempo para quem quiser pular para uma parte específica.
Arte
e Gráficos
Dois estilos gráficos se
completam: O primeiro mostra os personagens nos cenários e interagindo uns com
os outros e que ele tem uma aparência muito próxima a de Final Fantasy onde os
personagens com cabeças grandes e baixinhos. (O estilo conhecido como Chibi.).
No segundo, que só é mostrado em combate, eles tem proporções corretas e as animações
são mais chamativas e são gostosas de assistir. Eu não acho que esteja entre os
mais bonitos do Super Nintendo, mas, não é tipo que ofende com a feiura.
Apesar dos personagens
terem desenhistas diferentes eles foram adaptados aos gráficos do jogo e tem um
Q de semelhança. Vou destacar meus dois preferidos: Yumi Tamura [Cube] que
autora de 7 Seeds e Kazuhiko Shinamoto[Akira] em (responsável pelo mangá Kamen
Rider ZO).
Música
Como praticamente todos os jogos da Squaresoft
dos nos 90 as músicas de Live a Live são ótimas. A trilha sonora foi composta
por Yoko Shimomura, conhecida por ter trabalhado nas trilhas sonoras de Kingdom
Hearts, Xenoblade, Parasite Eve e do meu preferido: Super Mario RPG. Os
diversos cenários têm músicas que caem muito bem e apesar de eu adorar as
músicas do cenário futuro distante (Que amplificam a sensação de solidão na
nave), a minha preferida é o tema do Robô-gigante Buriki Daioh! Fique com 20 segundos
dela:
Jogabilidade
O ciclo de jogo se divide
em duas partes: Na primeira parte você explora os cenários de acordo com a
história de cada capítulo. Em quatro capítulos: Harmonia (Flow), Contato
(Contact), Nômade (Wandering) e Herança (Inheritance) a exploração se dá de
maneira muito parecida com JRPGS tradicionais. O famoso ciclo: conheça
personagens, ande pelas cidades, resolva problemas e enfrente chefes.
O capítulo ordens
secretas depende de como o jogador quer o encarar: Como uma aventura de
furtividade ala Metal Gear ou como um massacre em que o ninja implacável mata
todos em seu caminho. (Ala Metal Gear Revegenance)
No capítulo “O mais
forte” É composto apenas por 6 lutas e você escolhe seus adversários por uma
tela que lembra jogos de luta.
E por falar em lutas como
em todo JRPG Live a Live tem uma grande quantidade delas, então, vamos ao
sistema de combate! Aqui os personagens se organizam em um tabuleiro em forma
de grade e trocam sopapos de acordo com o alcance de seus golpes. Alguns
personagens podem manipular o campo criando zonas elementais que causam danos
aos inimigos e outros lutam com contragolpes e desarmes. Isso cria um sistema
em que é possível através de uma estratégia bem pensada vencer inimigos com
níveis muito mais altos que o do jogador.
Para um certo personagem existe a opção de mandar a estratégia se danar
e usar um revolver para matar todos os inimigos. Bem, funciona!
Os inimigos podem agir
entre uma ação e outra de seu grupo então o comando de passar o turno serve
para que você use sempre o personagem mais próximo dos inimigos. Isso encoraja
o jogador a prestar atenção na formação e a não desperdiçar tempo andando pelo
tabuleiro.
Uma coisa legal é que não
é necessário usar uma magia especifica para ressuscitar os aliados que caem.
Basta chegar perto e usar qualquer cura. (Wake me up inside)
Após todos os combates os personagens recuperam
vida, isso economiza tempo já que não é necessário abrir o menu para curar ou
mesmo ressuscitar aquele personagem que sempre morre em combate.
Esses elementos formam um
sistema de combate veloz e divertido que ajudam no ritmo do jogo.
Infelizmente não é um
sistema muito equilibrado e certos personagens que têm funções parecidas são
muito melhores que os outros. (Quem diria que uma saraivada de balas ia causar
mais dano que um golpe de Katana =)
Outro problema com a
jogabilidade é que em alguns momentos o jogo se torna obtuso e exigi do jogador
doses colossais de paciência. Tudo bem que itens e lutas secretas serem
difíceis de encontrar, mas, no capítulo final o jogo exagera incluindo aquelas
coisas estupidas como ter que encontrar um caminho entre as arvores sem ver o
personagem e colocar uma dungeon inteira que tem apenas um inimigo muito
irritante. Não são elementos que deixam o jogo mais difícil, apenas mais
demorado e vão contra os elementos de desenho de jogo estabelecidos no combate.
Afora esses tropeços a
dificuldade do jogo é baixa o que pode deixá-lo um pouco entediante para quem
gosta de um desafio(Como em Ressonance of Fate) e sonolento prefere JRPG`s mais cruéis. [SMT referência]
História
As histórias contadas em
Live a Live tem vários temas e inspirações bem claras e a única coisa que as
liga é o protagonista ODIO. Eu vou falar um pouco de cada uma delas e depois do
capítulo final. Se você quiser experimentar o jogo por si mesmo, pare o vídeo
agora.
Bem vamos lá:
A primeira história se chama
Contato e conta as aventuras de Pogo um simpático homem das cavernas e seu
amigo Gori (que por coincidência é um gorila). Aqui é tudo simples, depois de
passar um tempo caçando você encontra uma mulher que fugiu da tribo rival porque
ia ser sacrificada ao último tiranossauro vivo(O-D-O). Essa parte do jogo é experimental
e aqui nenhum personagem fala, eles se comunicam apenas por sinais, linguagem
corporal e murrros na cara. Eu achei a ideia boa e tem até uma mecânica própria
do capítulo (apertando Y no controle Pogo cheira e adquiri dicas do ambiente). Acaba
sendo uma história simples e que acaba de forma abrupta.
A segunda história é sobre
um mestre de um estilo de kung-fu (Chamado Xin) que sente que seus dias estão
chegando ao fim e decide que que precisa de um sucessor. Então ele acaba
recrutando 3 ex-ladrões para serem seus alunos. O legal dessa história é que
você decide qual vai ser o seu sucessor quando escolhe qual dos alunos vai treinar
mais. Eu escolhi Li Kuugo para ser a sucessora quando joguei.
Claro, uma escola rival
de kung-fu (comandada pelo terrível Odi Wang Lee) decide atacar seus alunos
matando os mais fracos. Então, o mestre e seu aluno escolhido partem para a
vingança. A história é baseada nos antigos filmes de Kung-fu de Hong Kong.
A terceira história se
chama ordens secretas e é sobre um ninja prodígio chamado Oboro-Maru que recebe
de seu clã a ordem de regatar Rioma Sakamo do castelo do senhor feudal Ode Iou.
O antagonista quer que o Japão entre em uma guerra civil para se tornar Xogun.
Essa história é meio rasa, mas, tem duas coisas legais sobre ela: A primeira é
que Rioma Sakamoto é uma figura histórica real do Japão. Ele foi Samurai,
participou de várias batalhas e da restauração Meiji um evento histórico
essencial para o nascimento do Japão Imperial. (Ok, falei muito de história
espero que ninguém tenha dormido)
A segunda é que aqui o jogador pode
escolher como executar a tarefa de 3 formas: Matando todos no castelo (difícil
pra caramba pode preparar um guia) sem matar ninguém (também difícil pra
caramba, recomendo um guia) e por último matando apenas quem se coloca no seu
caminho.
A quarta história se
chama “O mais forte” e é a única no jogo que eu achei péssima. Masaru é um lutador que quer se tornar o mais
forte de todos, então, ele sai batendo em outros lutadores e aprendendo suas
técnicas para conseguir isso. Depois de vencer seus 6 oponentes e um maluco
chamado Odie Oldbright (que adivinha só: matou os lutadores que ensinaram
Masaru) o capítulo acaba. Masaru sequer aprende a dar um suplex decente. E ele
também não é capaz de dar um suplex em um trem. Fracote.
Na quinta história
(chamada Harmonia) as coisas voltam a ficar interessante, pois, aqui eu joguei
joga com Akira, um adolescente consegue
ler a mentes e usar seus poderes telecinéticos para lutar. Ele tem como passatempo
dar pancadas na gang de motoqueiros da cidade (os Cruzados). Com a ajuda de
seus amigos ele desvenda uma conspiração envolvendo o governo, os cruzados e um
culto. Os conspiradores raptavam pessoas e as sacrificavam para reviver um
antigo deus chamado Odeo. O deus é revivido, mas, Akira consegue um robô
Gigante para enfrentá-lo.
Eu resumi muito a história desse capítulo que é de longe a mais complexa e
cheia de personagens. É uma mistura de Akira (o filme animado) com anime Mecha
onde o protagonista usa um robô gigante para matar um deus. Se você tiver que
jogar apenas uma história de Live a Live: Jogue essa!
A sexta história tem um
nome magnifico: Coração Mecânico. É sobre um robô chamado Cube. Ele está a
bordo de uma nave espacial (a Cogito Ergo Sum) voltando para a terra e foi
construído pelo mecânico da nave: Kato. Depois de conhecer os tripulantes da
nave (que estão hibernando durante a viagem espacial) Cube passa um tempo com
eles. Mas, é claro que algo horrível tinha que acontecer: Várias falhas nos
equipamentos da nave e a fuga de uma criatura que estava pressa no
compartimento de carga mata a maioria dos tripulantes. Então Cube tem que
salvar os tripulantes que restam e descobrir quem está fazendo isso. O culpado
no final das contas é OD-10 o computador da nave, que é claro não vai se deixar
ser desligado sem uma luta. Esse capítulo tem referencias claras a Alien e
20001 uma Odisseia no Espaço, mas, ele remixa a história como um mistério. É o
meu segundo preferido. Eu acho essa a segunda melhor história do jogo.
E por último eu quero
falar da história que eu não sei bem se gosto ou não. No capítulo chamado Nômade,
eu joguei com um procurado durante os tempos do oeste selvagem conhecido como Sundown
Kid. Claro, Sundown tem um rival que o prossegue pelo oeste chamado Mad Dog. Os
dois chegam a uma cidadezinha chamada Sucess e depois de interagirem um pouco
com os locais (e com uma criança bem chata) eles marcam um duelo. Ao invés de
atirarem um no outro matam dois integrantes do Crazy Bunch um bando de
malfeitores que assombra a cidade a mando de O.DIO. Os dois decidem deixar suas
diferenças de lado para defender a cidade. Depois de acabarem com os bandidos
eles tem uma luta final em que Sundown vence e sai cavalgando em direção ao pôr
do sol. Eu deixei de fora os detalhes, mas, vou falar de algo que me incomodou
nessa história: Pouco ande do capítulo acabar o passado de Sundown Kid é
revelado: Ele teve sua vila inteira morta por bandidos e ele se culpa por isso.
Então, ele colocou uma recompensa sobre a própria cabeças, ele continua matando
as pessoas que vem atrás dele. Eu gosto bastante do cenário da história que é
influenciada pelos 7 Samurais e por filmes de velho oeste, mas, isso eu não
consegui a falta de sentido nas ações do Cowboy.
Depois de conhecer os 7
protagonistas o jogo tem dois capítulos o oitavo que conta que conta a história
do Rei Demônio ODIO e o que liga todas as histórias.
O antigo reino de
Lucretia foi assolado por um feiticeiro muito poderoso chamado ODIO, o de Rei
dos Demônios. Ele foi derrotado por dois heróis lendários chamados Harsh e
Uranus. Muitos anos depois o rei de Lucretia está realizando
um torneio para decidir quem vai se casar com a princesa do reino, Alicia, e se
tornar o novo Rei. A luta final é entre dois amigos Oersted e Straybow. Oersted
vence, mas, a princesa é raptada por um demônio voador o que indica que o Rei
dos Demônios está de volta. Então Oersted e seu amigo Straybow se juntam com
dois heróis (Harsh e Uranus) que derrotaram a antiga encarnação do rei demônio.
Porém eles ao chegarem no covil do vilão eles são presos em uma armadilha que
mata Straybow e Harsh. Então Oersted e Uranus voltam ao castelo para se
recuperar. A noite o rei demônio aparece no castelo e Oersted o ataca, mas, era
uma ilusão e ele acaba matando o rei. A sorte do cavaleiro só piora daqui pra
frente porque ele e Uranus são presos, o monge não resiste a tortura, mas,
consegue usar uma última mágica para libertar Oersted. Ele volta ao pico do
Demônio e descobre uma câmara secreta onde encontra a princesa Alicia e seu
amigo Straybow. Ele na verdade manipulou, se apossou do poder do Rei Demônio e
raptou a princesa. Como todo bom vilão ele revelas seus motivos antes da
batalha final: Straybow se cansou de viver a sombra do amigo famoso e talentoso
e decidiu que essa vitória seria deles. Então eles lutam e Oersted mata seu
amigo. A princesa Alicia aparece e fica chocada porque estava apaixonada por
Straybow então, ela saca uma faca e se mata na frente do pobre Oersted. E essa
é a gota d`agua o cavaleiro começa a amaldiçoar as pessoas e a estátua do rei
demônio começa a brilhar indicando que existe um novo ODIO. A história desse capítulo é diretamente
inspirada por Final Fantasy e a relação de Straybow e Oersted é um reflexo da
relação de Cecil e Kain de Final Fantasy IV.
No capítulo final todos
os personagens são transportados para o reino de Lucretia e o jogo pede que
você escolha o principal. Eu escolhi Sundown e depois tive que encontrar os
outros e ir lutar contra Oersted/ODIO. Pelo que eu entendi o antigo Rei
Demônios (antecessor de Oersted) conseguiu uma maneira de espalhar sua
influência através do tempo, por isso, os antagonistas do jogo são todos ODIO.
E sempre que uma pessoal sucumbe ao ódio da humanidade ela pode se tornar o
próximo rei dos demônios. Depois de derrotar o vilão os protagonistas voltam
para suas respectivas eras.
Pensamentos/
Conclusão
No geral eu gostei
bastante da história do jogo porque apesar dos tropeços ela tem um ritmo muito
bom (o que me lembra Crono Trigger e Parasite Eve) onde está sempre acontecendo
algo muito importante e o que é chato acaba passando rápido. As histórias têm
claras influências de gêneros do cinema e outros jogos, mas, todas são uma
espécie de remix então acabam tendo uma personalidade própria. (Menos a de
Masaru e sua falta de suplex)
A muitos anos eu tentei
jogar esse jogo simpático pela primeira vez, mas, não cheguei até o fim, por
isso fiquei com aquela sensação de negócios inacabados até que dessa vez
consegui terminar. O jogo é uma bela experiencia vinda de tempo em que as
grandes produtoras e estúdios ainda apostavam em novas ideias e conceitos
experimentais.
Eu o recomendo para
qualquer pessoa que goste de JRPG`s, mesmo os iniciantes. É uma bela
experiencia que passa rápido e nenhum cenário exigi o famoso grind. Eu vou
deixar uma nota para o jogo. Por quê? Por que dar notas para jogos é legal =)
E você veio até aqui,
obrigado por escutar meus pensamentos boa noite e até a próxima.
1)https://quoteinvestigator.com/2013/03/06/artists-steal/
T.S.Eliot (Livre tradução, ou melhor: livre perversão)